A volta…

Voltei finalmente a dedicar-me à escrita.

Após um ano de interregno volto para escrever mais umas palavras.



Entre o devaneio e a clarividência

Entre o devaneio e a clarividência

Entre o plebeu e a aristocrata

Entre o céu e o inferno

Entre o mar e a serra

Entre o corpo e o átomo

Entre o círculo e o quadrado

É um nada que os separa

É um nada que os diferencia.

Entre o escritor e a pena

Entre a tinta e o pintor

Entre o ver e o olhar

Entre a terra e o asfalto

Entre o orvalho e a chuva

Entre a dicotomia e a unidade

É um nada que os separa

É um nada que os diferencia.

Entre o hoje e o infinito

Todas as coisas são belas.

Entre o ontem e o amanhã

Todas as verdades serão mentira.

E as certezas? As certezas!…

Essas fugir-me-ão por entre os dedos das mãos

de encontro ao vazio.

Anónimo



O Sonho de Criança

Vá lá deixa-me fazer de … escritor.

Pois é, hoje resolvi implorar para fazer de escritor para elaborar um prólogo onde possa explicar bem explicadinho, o que foi para mim a participação neste Sonho de Uma Noite de Verão.

Confesso que escrever estas palavras no fim da peça se tornou um caso difícil e de muito esforço, não por não saber o que dizer mas antes, por ter um turbilhão de emoções a perturbar-me a escrita.

Participar nesta peça, foi para mim, o concretizar de um sonho de criança.

E, ainda por cima, contar com um elenco tão especial como vocês, tornou-se um desafio mais grandioso.

Foi maravilhoso ter encontrado pessoas excepcionais como vós que nunca mais irão sair do meu messenger (lol) e foi muito bom trabalhar com outras já conhecidas e que nos ajudam a perceber de uma maneira mais madura o que é pisar um palco e como enfrentar os demais variados públicos.

Não posso deixar de agradecer especialmente aos meus amigos artesãos que comigo construíram algumas cenas deste espectáculo e que tão boas gragalhadas arrancaram ao público. Marmelo, o Shakespeare; Gaitinhas- o alfaiate; Biquinho- o muro; Lingrinhas - o lanternas; e o Atarrachado - o doce LEÃO.

Muito menos me esquecerei de todos os elementos do elenco, bem como da rainha que me chamou “Anjo”, tendo eu aquelas orelhas maravilhosas.

Também não me posso esquecer do nosso encenador e da nossa presidente, e da nossa grande maquilhadora que tão bonitos nos pôs.

De todos vós me despeço com alegria e com saudade e à espera de vos encontrar de novo neste meio.

Com a lagrima no canto do olho, e suspirando…

Ai ai, ai ai, ai ai…….

Nicolau Canelas - Actor Artesão/ Tecelão / quase Titânia / quase Oberon e quase fadinha, será que ainda conseguia fazer uma perninha de duquesa ou de Hérmia? Hum… mais um prólogo…..

Que bom é quando os sonhos se tornam realidade, um dos meus finalizou hoje obrigado.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos.



O Amor da Ilha


 Serenamente escutas o silêncio.

Ao longe, sopra, sossegadamente e em certa surdina o vento das montanhas e a brisa do mar.

Avistas o horizonte por entre as poucas nuvens e o sonho ensolarado leva-te a percorrer um mar sem fim e um céu sem limite.

Buscas incessantemente palavras de conforto, trocas de carinho, momentos de aventura e delicados toque de ternura.

Esse céu e mar, transfiguram para o teu sonho e teu pensamento todos os pormenores de uma vida a dois e de um viver apaixonado.

Os teus olhos, agora, cerrados, comprimem-se numa harmoniosa suavidade conjugados com o teu sorriso leve, calmo e resplandecente. A tua face eleva-se e mostra a paixão do teu sentimento.

O teu peito enche-se de ar. O ar que o percorre é tão forte e tão bom que tens dificuldade em o deixar sair. Inspiras mais uma vez. Sente-lo percorrer todo o teu peito e encher todo o teu coração de uma aragem feliz, grandiosa e viril.

Teimas em querer este sentimento. E acordar deste sonho é tudo o que não desejas agora.

Sentes uma mão, acarinhar levemente o teu rosto. Continuas no sonho, rodeada de mar e de céu.

Um beijo aquece agora os teus lábios. Acordas aflita.

Sim, sou eu.

Por ti, percorro todo este mar e todo este céu. Contigo, vivo esta paixão nesta ilha amorosa.

O amor que a ilha nos proporciona engrandece os nossos corações e alimenta saudavelmente o nosso imenso amor.

És o meu Mundo de Amor,

Apaixonadamente.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos.



Equilíbrio emocional

Furiosamente assombra-se a estrada que nos conduz ao nosso destino. Por entre tantos percalços assume-se distintamente o percurso que queremos trilhar.

Mas, por vezes, os nossos pequenos trilhos não são percorridos consoante as nossas vontades e quereres, mas sim, tendo em conta o meio em que estamos inseridos e as pessoas que nele se movimentam e influenciam as nossas crenças, atitudes, pensamentos e vontades.

Não dando asas ao ego de tomar conta da nossa personalidade, temos que procurar incutir nos outros a nossa de vontade de querer concretizar, objectivar e realizar as tarefas à nossa maneira. Tal e qual, xutos e pontapés.

Fabulasticamente, o mar, procura sempre subir as encostas,  no entanto, com paciência, preponderância e muita insistÊncia, a areia, as pedras e os vários ocupantes das ditas encostas continam a negar, sempre que possível, a tomada de posição soberana do mar.

Assim, como a vida, também as personalidades são classificadas com muitas virtudes e muitas desvirtudes. E, cabe às nossas características físicas, psicológicas e sociais manter o equilíbrio das personalidades multifacetadas. Para manter esse equilíbrio temos que aprender a controlar as nossas emoções.

Só o equilíbrio emocional nos proporciona uma construção equilibrada da nossa personalidade, bem como, de um viver diário flexível no domínio emocional.

Na estrada da ilha ainda se procura esse estável equilíbrio e o viver mentalmente aberto, mas concentrado só num e num só meio social. Apesar de termos tantos meios sociais onde nos movimentamos e vivemos, não deveremos deixar confundir e interligar esses meios sociais, pois desencadeia emoções desequilibradas e desajustadas de um meio para o outro.

Para reflectir,

Na estrada da ilha,

Nuno Santos.



O Natal !!!

Ora bem, apesar de nao acabar o ano a escrever  regularmente devo por respeito a quem por aqui passa, desejar um feliz natal e um bom ano novo.
Quem passar por ca deixe também os seus votos natalícios.
Felicidades para todos foi um prazer passar este ano aqui com vocês!!

Aquele abraço e Bom Natal!!!!!!!!!!!

P.S. Depois do ano novo, vida nova escritas novas.



Ser professor

Hoje decidi deixar a estrada como minha companheira e apadrinhei momentâneamente o sofá e a televisão.

Estava expectante em relação ao discurso do senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no dia do 5 de Outubro, visto que o assunto seria centrado na educação.

E eis que no meio de tanta mediocridade e insensibilidade socialista que no meio reformador que tanta anuncia, tenta desinspirar e maltratar a nível financeiro, social e pessoal os professores deste país, surge o mais alto cargo político de representação do povo exultar o acto heróico diário dos professores que além de ensinarem a matéria escolar aos seus alunos também se obrigam a dar a estes a educação que em casa não têm.

Em primeiro lugar, deve-se referir a coragem que o senhor Presidente da República teve ao considerar os pais e a comunidade, como um dos maiores responsáveis pela escola e todo o seu envolvimento social. Responsabilizou e alertou para o facto de serem os pais e a comunidade a estarem cada vez mais perto das escolas e cada vez mais integrados no funcionamento diário da escola. Dado isto, o dever destes seria acompanhar e coadjuvar os alunos, professores e pessoal auxiliar a formar uma escola com orgulho para todos.

Em segundo lugar, incentivou as comunidades escolares a terem uma maior abertura para o facto de trabalharem em conjunto para conseguirem completar da melhor forma uma parte da formação de cada individuo. E para não considerarem as escolas como simples lugares de depósito ou fábricas de ensino, em que ao fim do dia estão prontos para serem despejados para as suas casas ou postos “à venda” num lugar qualquer. A escola tem de ser encarada para todos como um lugar de orgulho, onde a formação pessoal é posta em primeiro plano. Mas sem que seja declarada como um lugar de despejo de pessoas a crescerem diáriamente. A escola como lugar de despejo deve-se apagar rapidamente.

Terceiro ponto, gritou serenamente aos ouvidos dos pais e dos alunos, para que tenham em consideração os professores das escolas. Não que tenham de ser tratados como seres altivos como na época salazarista, mas que sejam tratados como seres competentes e capazes de ensinarem os alunos a inserirem-se na sociedade. O tratamento especial que devem ter os professores é um tratamento de carinho  e de especial atenção pela carga emocional e afectiva que tantos impõem na sua vida profissional.

Bem Senhor Presidente da República, politicamente falando, conseguiu arrecadar mais uns votos para o seu partido com estas declarações, tanto pela classe docente (que tanto ódio começa a ter pelos idealistas socialistas que se encontram a governar) como pela parte dos pais que ficaram a admirar um presidente consciente dos problemas sociais e com visão futurista. Afectivamente falando, conseguiu incutir no dia a dia dos docentes uma maior alegria no trabalho pelo simples facto de lhes mostrar que alguém que tem responsabilidades políticas defende as suas profissões e lhes reconhece importância na sociedade, valorizando-a e dando-lhe um crédito que há muito tempo ninguém referia.

É por termos pessoas competentes como você que ainda acreditamos no valor de sermos professores e defendermos contra tudo e contra todos a nossa profissão. Sem nos querermos identificar com o corporativismo criado por esses regimes antigos de professores, desejamos acima de tudo que seja valorizada e tratada com respeito a nossa profissão.

Claro que estamos conscientes dos problemas da sociedade, em que os pais têm de ter 2 empregos para conseguirem sobreviver, em que a crise económica estraga os planos de uma família, em que as 24 horas diárias já não são suficientes para se resolverem tooos os problemas, em que as desigualdades sociais se acentuam cada vez mais. Temos essa consciência. Mas nós também somos seres envolventes dessa sociedade, e muitos de nós pais, logo também partilhamos desses problemas, mas não é com isso que vamos deixar de respeitar o trabalho dos outros.

Contudo perante tanta admiração, devo salientar um ponto de uma certa discórdia e revolta. Referiu que não estava a falar para o governo mas sim para a população… eis que a sua declaração perdeu metade do se fulgor tanto para docentes como para pais, pois perante tantas palavras sábias ditas com total razão, perdeu velocidade quando se colocou ao lado do governo perante as atrocidades sociais a que este está a levar a cabo (a não ser que o seu discurso fosse de alguma forma implícita um recado para o seio politico). Pois se formamos tantos professores para depois não lhe darmos uma carreira, para lhe retirarmos a estabilização profissional e familiar, então para quê tanta preocupação com a educação dos nossos filhos. Se não damos condições aos formadores como vamos querer dar estabilidade e condições ao formandos?

Gostei muito da sua declaração de preocupação para com o estado da educação e para com a imagem credível dos professores, mas o futuro dos cidadãos mais jovens também depende da seurança e da estabilidade desse mesmo corpo docente. Não queira dar um nó e depois desatá-lo, faltou essa coragem para enfrentar as não-reformas do governo socialista.

No sofá da ilha, desta vez,

Nuno Santos



O sussuro

 

Começaram de novo as viagens ao longo da ilha… mas desta vez, as viagens estão completamente disformes e sem sentido.

Ou melhor, o sentido do sentimento é que é diferente.

Onde antes perdia os olhos despertos pela tamanha beleza, hoje … admiro… admiro os variados altos das montanhas, as várias quedas de água, os caminhos tortuosos por onde passam centenas e centenas de carros.

Onde antes passava os olhos, agora tenho tempo para os fixar e até deixá-los por lá um pedaço.

Dei comigo a pensar ao longo da estrada, que nunca a ilha se tinha tornado para mim tão serena e tranquila, tão calma e normal.

Eu quase jurava que ainda hoje me sussurrou ao ouvido a folha de uma árvore, dizendo-me que ha tanto tempo que me via passar mas que nunca tinha sido delicado o suficiente para parar e a admirar.

Jorram abundantemente as serenas aguas do mar, no olhar de um sonhador.

Naestrada da ilha,

Nuno Santos



O Regresso

Novas emoções

Novos sentimentos

Novo regresso

Mais palavras

Novas palavras

MAis textos

Mais argumentos

Aproximam-se mais discussões.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos

 



Confusão Saudosista!!

Turbilham as vozes.

Soam os sons,

Cada vez mais fortes

Disparam o seu agrado.

Foges por entre as nuvens matinais.

Para tras ficam elas.

Serenas e distantes

Tranquilas e frias.

O peso dos olhos

Procura não ceder.

Ficas despido

Desmorona-se a rotina

E o desconhecido

APodera-se do medo

Estremecem vezes sem conta

As mãos que suavemente

te acariciam.

E ficam, assim, sem mais nem menos

inoperantes.

Apertam a saudade

Até que um dia se libertem

As mãos trémulas.

 

Nuno

Na estrada da Ilha.