As Palavras

Fortes que nem canhões
Letais que nem veneno
Cortantes como qualquer espada
Refúgio do nosso medo.

Suaves como gato felpudo
Frágeis como prato de vidro
Eloquentes, por vezes banais
Alimento para a alma como pão de trigo.

Transportam sonhos, paz vaidade
Os desígnios dos Homens de gravata
Ardil engenhoso sob forma de poesia
Que quando mal usado mata.

Colaborador anónimo


Oh mãe!

Na estrada passeio o meu destino, por entre as rochas e as montanhas desta ilha…. e no romper dessas montanhas saltam os filhos sedentos do progresso que tanto os assusta. A cada passagem aclama-se a vertiginosa sensação voluptuosa do romper ventroso.

Esse romper ventroso, fruto de toda a natureza, aclama agora nas cabeças dos habitantes destas montanhas fervorosas.

É nesse fervor que se ouve o susurrar momentaneo de um ser ainda oculto (ou talvez não):

 ”… que quente é o escuro. Que paz de sítio. Que suave é o toque da tua mão, que carinho tão especial. Hum!… como me fazes sentir mãe. Mãe, mas porque é que eu tenho que te chamar mãe? AH!!! Já sei é esse o nome que se dá aquela pessoa que nos faz carinhos e que nos ama……

Amor……!!!!!!

AI!AI! Mas que barulho estranho esse…. o que se passa aí fora…. Au… esses toques não são carinhos, estás-me a bater? A tua respiração é tão forte. é tão ofegante, que se passa mãe…. mãe estou a ficar com um ronronar estranho aqui dentro do meu corpo…. isto, geralmente, termina assim que me alimento

Que confusão é essa? Assaltou o quê? O que é assaltar, mãe?

UUUFFFF….. mãe não me tires daqui, deixa-me ficar no teu resguardo, sinto-me mal, mãe. Essa coisa aí é estranha, só confusão, só barulho.

Está a ficar tanto frio, estou a ficar….. hum… não sei….. Oh mãe!

As montanhas recriminar-te-ão pelo que fizeste mãe. Mas eu compreendo a tua opção

Sinto-me tão bem aqui no infindável horizonte paradisiaco. Se algum dia me tivesses deixado viver na podridão, na qual tu estavas metida, nunca te perdoaria. Assim, habito ao lado dos mais belos seres puros da natureza.

Só tenho pena de ti mãe! Viajaste por esse além fora sem conseguires aproveitar o resto da tua vida, por causa, do que os outros pensam e ajuízam sobre pessoas como tu…. Eu vou lutar para que não aconteça a nenhuma mãe, aquilo que te aconteceu a ti…… Ah! Mãe! Disseram-me que o meu destino era ser infeliz para sempre aí nessa confusão……

Oh mãe! Obrigado!

…..”

O fervor destas emoções aclama: O sim no dia do julgamento!!!

Na estrada da ilha,

Nuno Santos