Na Estrada do Teatro
Viajas na estrada da ilha em milésimos de segundos por entre o sim ou o não.
Possivelmente a tremedeira das mãos já sentes apoderar-se do teu comportamento.
A ansiedade sobe, o desejo de ser tu começa a superar o humanamente eu.
Ladrilha-se até à porta o caminho por onde a passagem se transforma em cristal.
Por entre todas as entradas e entranhas segue-se o cheiro da adrenalina.
Começa a ficar cada vez mais ténue a visão do espectáculo.
Aquece o chão onde pões os pezinhos de lã, sobranceiramente.
Ilumina-se ao longe uma nesga escuridão.
É pesadamente perto de ti a fileira interminável dos sitos lugares.
Seguram os anjos por cima de ti uma bela e incontornável cruz.
Outros seguem ainda passeando lá no alto por entre as luzes dos candeeiros.
Vais fugindo com o olhar as luzes veladas que se insurgem no limiar da vista.
Segues apressadamente a mente para os demais olhares sobrepostos em ti.
Esgueiras-te depressa e sem muito alarido por entre as cortinas macias e apaziguadoras.
E depressa, como um caracol, correm dos dois lados volátilmente duas peças vermelhas.
Sorri-se amalgamente para o fundo iluminado da luz do dia.
Na estrada da ilha,
Nuno Santos.
P.S: Para todas as pessoas que viveram comigo “O Despertar da Pimavera”.
E para aquelas que nos visitaram….