Descrença

Não adianta
Não és mais do que um simples mortal.
Não lutes
Nada ganharas com isso.
Não corras
Apenas te vais cansar.
Sorri e adormece, vagarosamente.
Não ames
Admira somente.
Deixa o rio correr. Não o obstruas.
Transborda e percorre o seu curso naturalmente.
Vive somente a observar, mas não toques.

Colabordor anónimo



Hoje!!!

Deslizam calmamente e sem pressas as rodas do carro que perseguem os cantos da ilha madura.

Hoje um telhado de  névoa brilhante paira sobre a natureza aconchegante.

Abrem-se os vidros. São eles a barreira entre o dia normal e o dia atípico.

Hoje é um dia atípico.

Ao inspirar, o ar límpido passa pelas narinas e abre-as, passa pelos olhos e fá-los estremecer, chega ao cérebro e sente-se o vazio de quem acaba de apanhar uma poça de ar no interior de um avião.

Hoje, mais do que nunca o dia está maravilhoso!!!

Apoderam-se dos nosso músculos as partículas oxigenadas, cheias de odores passivos. O universo envolve-se connosco e connosco partilha as suas emoções.

Hoje algo de especial acontece.

De frouxe, depara-se na nossa frente o mar o sub-céu e o céu.

Hoje há algo de misterioso…

Por toda a ilha, a porta cristalina apareceu e abriu-se aos olhos de todos os que aguardavam serenamente e silenciosamente o aclamar da sua existência.

Hoje, o mar e o céu foram um todo.

Formaram a porta para a transição da pureza humana. As portas azuis das mais diferentes tonalidades mostraram-se aos pintores…

Hoje, os pintores, tentaram captar o iluminar do ser humano,

A sensibilidade da natureza mostrou hoje o caminho do arrepio da alma.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos



A verdade

A verdade!
A verdade!
A verdade!
Luta demente entre Deus e o Diabo
Luta descrente entre o forte e o fraco.
A verdade.
Sim, a verdade.
Essa coisa
A verdade.
Procura incessante do que não existe
A verdade.
Procura doentia do que comprazia que existisse
A verdade.
Ah sufoco!
Sim, sufoco
Sufoco constante.
Respirar atrapalha-me.
O oxigénio aborrece-me
Cansa-me
Invade-me
Amedronta-me.
A verdade!
Essa palavra impune.
A verdade!
A verdade não!
Não quero!
Não posso!
Não suporto!
Não!
A verdade não!

Colaborador anónimo