Entre o devaneio e a clarividência

Entre o devaneio e a clarividência

Entre o plebeu e a aristocrata

Entre o céu e o inferno

Entre o mar e a serra

Entre o corpo e o átomo

Entre o círculo e o quadrado

É um nada que os separa

É um nada que os diferencia.

Entre o escritor e a pena

Entre a tinta e o pintor

Entre o ver e o olhar

Entre a terra e o asfalto

Entre o orvalho e a chuva

Entre a dicotomia e a unidade

É um nada que os separa

É um nada que os diferencia.

Entre o hoje e o infinito

Todas as coisas são belas.

Entre o ontem e o amanhã

Todas as verdades serão mentira.

E as certezas? As certezas!…

Essas fugir-me-ão por entre os dedos das mãos

de encontro ao vazio.

Anónimo