Não quero mais ser eu

Não.

Não quero mais ser eu.

Estou cansado.

Ser actor…

Ser uma multidão

E não ser ninguém.

Ter mil nomes

E não saber como me chamo.

Ter mil disfarces

E vestir sempre a mesma figura.

Não.

Não quero mais ser eu.

Estou cansado.

Estou cansado desta luta

Sem origem nem término.

De calcorrear sozinho

Cada poro da minha solidão.

De enfrentar sem espada

Um Circo Romano.

De enfrentar as lágrimas

De lágrimas nas mãos.

Não.

Não quero.

Não quero mais ser eu.

Estou cansado

Quero ser actor…

 

Colaborador Anónimo



Descrença

Não adianta
Não és mais do que um simples mortal.
Não lutes
Nada ganharas com isso.
Não corras
Apenas te vais cansar.
Sorri e adormece, vagarosamente.
Não ames
Admira somente.
Deixa o rio correr. Não o obstruas.
Transborda e percorre o seu curso naturalmente.
Vive somente a observar, mas não toques.

Colabordor anónimo



Hoje!!!

Deslizam calmamente e sem pressas as rodas do carro que perseguem os cantos da ilha madura.

Hoje um telhado de  névoa brilhante paira sobre a natureza aconchegante.

Abrem-se os vidros. São eles a barreira entre o dia normal e o dia atípico.

Hoje é um dia atípico.

Ao inspirar, o ar límpido passa pelas narinas e abre-as, passa pelos olhos e fá-los estremecer, chega ao cérebro e sente-se o vazio de quem acaba de apanhar uma poça de ar no interior de um avião.

Hoje, mais do que nunca o dia está maravilhoso!!!

Apoderam-se dos nosso músculos as partículas oxigenadas, cheias de odores passivos. O universo envolve-se connosco e connosco partilha as suas emoções.

Hoje algo de especial acontece.

De frouxe, depara-se na nossa frente o mar o sub-céu e o céu.

Hoje há algo de misterioso…

Por toda a ilha, a porta cristalina apareceu e abriu-se aos olhos de todos os que aguardavam serenamente e silenciosamente o aclamar da sua existência.

Hoje, o mar e o céu foram um todo.

Formaram a porta para a transição da pureza humana. As portas azuis das mais diferentes tonalidades mostraram-se aos pintores…

Hoje, os pintores, tentaram captar o iluminar do ser humano,

A sensibilidade da natureza mostrou hoje o caminho do arrepio da alma.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos



A verdade

A verdade!
A verdade!
A verdade!
Luta demente entre Deus e o Diabo
Luta descrente entre o forte e o fraco.
A verdade.
Sim, a verdade.
Essa coisa
A verdade.
Procura incessante do que não existe
A verdade.
Procura doentia do que comprazia que existisse
A verdade.
Ah sufoco!
Sim, sufoco
Sufoco constante.
Respirar atrapalha-me.
O oxigénio aborrece-me
Cansa-me
Invade-me
Amedronta-me.
A verdade!
Essa palavra impune.
A verdade!
A verdade não!
Não quero!
Não posso!
Não suporto!
Não!
A verdade não!

Colaborador anónimo



A vossa história

 Vinha com os pensamentos muito agitados durante a  minha caminhada rotineira na estrada da ilha. Até, que, de repente,analisei, pensei, e optei por publicar uma história igual a muitas outras. Já está muito batida, já toda a gente conhece o fim, mas a diferença é que foi feita por vós, simples crianças que têm ainda uma pequena preocupação na vida….

Bem aqui fica então publicado o registo integral da elaboração de uma história,  de crianças que me aturam todo os dias:

” Era uma vez uma bonita princesa, que morava no castelo das Canárias bem lá no alto da montanha onde o sol raiava com alegria e beleza.

Certo dia, aparaceu lá bem no fundo da montanha um lindo principe Encantado que vinha a galopar no seu cavalo branco com tranção de pelo castanho.

A Princesa que estava na varanda a ouvir musica no seu ipod, resolveu chamar as suas criadas para mandarem um mensageiro à aldeia com o intuito de convidar todas as pessoas para um baile de máscaras.

Foi então nesse dia que  Principe Encantado encontrou a Princesa, bela e resplandecente, na sua varanda decorada com lindas rosas cor-de-rosa. Ao vê-la o Principe Encantado ficou demoradamente encantado e muito apaixonado.

Chegada, então, a hora do baile, O Principe apressou-se em entrar no palácio de rosas cor-de-rosas para admirar a beleza da Princesa, deixando estacionado à entrada do Palácio o seu cavalo.

Dentro do Palácio havia grandes castiçais de velas a arder, havia muita comida deliciosa e uma música muito romântica. Encontravam-se os cavalheiros prontos para serem escolhidos pelas donzelas para dançar. Todos os pares do baile dançavam com grandes sorrisos e com muito entusiasmo.

Até que ……… Plim!….. Plim!…….

A Princesa Bela chegou ao alto das escadas tirou os seus saltos altos de cristal e desceu as escadas pelo corrimão com um skate. A Princesa tropeçou e estatelou-se nos braços do Principe Encantado. Tiveram uma troca de olhares muito rápido e assim ficaram loucamente apaixonados.

Saíram juntos em cima da linda passadeira verde e entraram directamente no avião e para celebrar o seu casamento saltaram os dois de paraquedas caindo em cima de uma rede de descanso à beira-mar onde ficaram a viver felizes para sempre.

Vitória, vitória acabou-se a história!!!!

Plim!Plim!Plim! A história chegou ao fim!”

E assim foi a aventura intelectual e imaginativa  destas crianças. Muito engraçado vivenciar a criação de uma história com as crianças, só por causa disso e para partilhar resolvi publicar aqui este texto.

Admirem-se, riam, e divirtam-se com o q elas escreveram que eu já fiz o mesmo.

 

P.S: o texto está integral, não houve arranjos, nem censuras….eheh



És

És…

Clarividência pura

Orgasmo de raiva

Suavidade imperial

Peça de xadrez aniquilada

Boato de vida

Certeza de morte

Veneno letal

Eloquência erudita

Falácia instrumental

Aristocrata mendigante

Meretriz letrada

Vulcão ardente

És…

És…

Um sonho…

colaborador anónimo



Gostava de estar de mãos enlaçadas contigo

Gostava de estar de mãos enlaçadas contigo

Sentado num qualquer banco de jardim

A recordar

Silenciosamente

Tua face

Teu perfume

Teu toque

Teu idioma!

De sorriso rasgado

E olhos esbugalhados

Repletos de saudade

Admiro

Tranquilamente

Cada palmo do teu corpo

Cada fio do teu cabelo

Cada poro da tua pele!

Prometo levar-te sempre comigo

E escrever-te num livro de páginas incontáveis:

A memória.

 

 

Colaborador anónimo



Na Estrada do Teatro

 Viajas na estrada da ilha em milésimos de segundos por entre o sim ou o não.

Possivelmente a tremedeira das mãos já sentes apoderar-se do teu comportamento.

A ansiedade sobe, o desejo de ser tu começa a superar o humanamente eu.

Ladrilha-se até à porta o caminho por onde a passagem se transforma em cristal.

Por entre todas as entradas e entranhas segue-se o cheiro da adrenalina.

Começa a ficar cada vez mais ténue a visão do espectáculo.

Aquece o chão onde pões os pezinhos de lã, sobranceiramente.

Ilumina-se ao longe uma nesga escuridão.

É pesadamente perto de ti a fileira interminável dos sitos lugares.

Seguram os anjos por cima de ti uma bela e incontornável cruz.

Outros seguem ainda passeando lá no alto por entre as luzes dos candeeiros.

Vais fugindo com o olhar as luzes veladas que se insurgem no limiar da vista.

Segues apressadamente a mente para os demais olhares sobrepostos em ti.

Esgueiras-te depressa e sem muito alarido por entre as cortinas macias e apaziguadoras.

E depressa, como um caracol, correm dos dois lados volátilmente duas peças vermelhas.

Sorri-se amalgamente para o fundo iluminado da luz do dia.

Na estrada da ilha,

Nuno Santos.

 

P.S: Para todas as pessoas que viveram comigo “O Despertar da Pimavera”.

E para aquelas que nos visitaram….

 



Lágrimas

Solta-se na estrada, vão surripiando palmo a palmo o caminho da ilha…. 

Choram as lágrimas. Molham tudo no campo seco. Enxuga-as o Sol com o seu calor.

Por vezes, enchem os seus depósitos. Continuam a encher cada vez mais. E não transbordam.

Mantêm a frieza humana do seu autocontrolo. Fervilham raivosas na segurança do seu limite.

Olham fixamente perante a luz. Desviam o olhar perante a escuridão.

Água somente água. Sensíveis ao mínimo toque. Resguardadas do suspenso mundo.

Rasgam silenciosamente a alma. Percorrem asquerosamente as maças do rosto. Cruel e duro.

Sentem desinspiradamente a tristeza. Seguem a alegria de novas vidas.

Deslocam-se apaticamente por entre os mares. Soltam-se furiosamente das copas das flores.

Lágrimas…..

Soltam-se as lágrimas pelos sorrisos dos corpos,

Entristecem-se pelas tristes faces dos seres….

Seguem solitárias esgueirando-se de todos os que se impõem na sua longa caminhada.

Na estrada da ilha,

Nuno.



Mundo de AMor

Na estrada da ilha, aqui continuo o meu caminho… neste mundo de amor!

Começou bem longe essa caminhada, sendo os altos montes e os grandes vales os espiões do sentimento. Eles conseguiam ouvir o som da nossa união. Consegues escutá-lo?

Segredaram-me ao ouvido mesmo agora, as altivas e coscuvilheiras árvores, que ainda agora, ouvem o teu sorriso. Jamais, em tempo algum, um sorriso foi tão admirado.

Sentia-se por todo o lado o teu cheiro. As montanhas enchiam-se de ar só para se conseguirem apoderar do teu aroma. O aroma mais perfeito do mundo. Hum….sinto-o agora…. que bom!


Sinto cada vez mais as tuas palavras, os teus abraços, os teus carinhos, e principalmente a tua amizade.

Sinto como ninguém os teus medos, as tuas vontades, os teus desejos, a felicidade irradiada dos teus lindos olhos, as maçãs do teu rosto sempre rosadas e abertas a sorrir para a vida.

Continuas bela como sempre, continuas a estrela humana mais cintilante,embora à nossa volta tudo tivesse mudado.

Tudo o que nos rodeia transformou-se, tudo o que era a nosso favor evaporou-se.

Não! Apenas mudamos de sítio. A voluptuosa natureza insurgiu-se e pediu-me que olhasse, e, que parasse para ver e ouvir.

Ela tinha razão.

Enchi o peito de ar e fechei os olhos. Que confusão! Todos queriam falar e tive de servir de mediador.

O mar pediu-me para ouvir o seu som… percebi logo do que se tratava, ele canta todos os dias o teu sorriso.

A imensidão verde que rodeia a ilha, explicou-me o quão suave é se lhe tocarmos com carinho. Arrepiei-me. Parecia o veludo da tua pele.

A luminosidade da tua presença também é notada. O sol, fez questão de me explicar que brilha mais sempre que te encontra a passear ou simplesmente a vaguear.

E num canto, bem escondido mas sempre presente, alguém pediu a palavra. Não se identificou. Fui com ele e explorei. Explorei sensações maravilhosas. Toda a composição colorida da natureza foi-me mostrada.  Fiquei curioso e perguntei-lhe o nome. Apenas me explicou que só era visto quando duas pessoas irradiavam do seu ser o conjunto dessas cores. E que indo para qualquer parte do Mundo, todos os dias veríamos essas cores representadas na natureza.

Expirei e a primeira palavra que me surgiu, apelidou-se de AMOR.

Aí, estremeci.

Assimilei.

És um Mundo de Amor.

Obrigada.

Na estrada da ilha,

Nuno